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Entre Quatro Poderes

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Delação de Dario Messer ficaria 4 vezes mais cara

Eduardo Militão

09/08/2019 04h15

Dario Messer deixou de fechar uma colaboração premiada no ano passado por um preço bem mais barato (Reprodução)

RIO – O tempo pesa contra o doleiro Dario Messer. Ano passado, ele tentou fechar uma colaboração premiada com os procuradores da Lava Jato. Pagaria cerca de R$ 70 milhões para confessar crimes, indicar clientes em esquemas de corrupção, sonegação e lavagem e evitar ir para a cadeia, de acordo com fontes ouvidas pelo Blog Entre 4 Poderes no Rio de Janeiro.

Mas agora ele foi preso. E um acordo não sairia por menos de R$ 300 milhões, avalia uma fonte ligada às investigações do "doleiro dos doleiros". O custo seria mais de quatro vezes maior, portanto.

No mês passado, os próprios filhos de Messer fecharam um acordo de colaboração premiada em que se comprometeram a pagar R$ 370 milhões. Hoje, na Operação Segredo de Midas, foi divulgada a delação do banqueiro Eduardo Plass, que acertou pagar multas e indenizações de R$ 90 milhões.

Os investigadores lutam para descobrir quem são as pessoas – empresários, celebridades, atletas, políticos, contrabandistas e até outros doleiros – que estão escondidos atrás de apelidos do sistema Bankdrop. A colaboração de Messer serviria para denunciar esses clientes.

Até agora, os doleiros Vinícius Claret, o Juca Bala, e Cláudio Barboza, o Tony, revelaram os apelidos apenas de outros operadores como eles. Falta descobrir quem são aos beneficiários finais das transferências de dinheiro ao exterior feitas fora do controle do sistema bancário e da Receita Federal.

Quem acompanha o caso de perto garante que, até quinta-feira (8), Dario Messer não tinha se oferecido para voltar a negociar uma colaboração.

A defesa do doleiro declara que ele é inocente. O advogado Átila Machado tem dito que as investigações que seu cliente respondeu em 2009 já o apontavam como suspeito de lavar dinheiro. No entanto, ele acabou inocentado na Justiça.

Messer nunca havia sido preso. Machado pediu que a prisão do empresário seja reconsiderada.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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